Escala hedônica para a Geração Z: ela ainda funciona?

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Escala hedônica para a Geração Z: ela ainda funciona?

Gen Z

A escala hedônica é o método mais usado na análise sensorial de alimentos há mais de 70 anos — mas será que ela ainda mede com precisão a aceitação de um consumidor de 18 anos em 2026? A Geração Z, nascida entre 1997 e 2012, cresceu rolando feeds, reagindo com emojis e tomando decisões em segundos. Esses comportamentos têm impacto direto na forma como esse público avalia um produto em testes sensoriais.

Neste artigo, você vai entender o que diz a ciência sensorial sobre o uso da escala hedônica com a Geração Z, quais limitações esse público específico expõe na escala tradicional e quais alternativas validadas por estudos recentes podem tornar seus testes mais confiáveis. Continue a leitura e descubra como adaptar sua pesquisa de consumidor!

Qual a origem e como funciona a escala hedônica?

A escala hedônica foi criada em 1949 por David Peryam e Francis Pilgrim, pesquisadores do Instituto de Pesquisa de Alimentos e Contêineres do Exército dos Estados Unidos. O objetivo inicial era medir a aceitação de rações pelos soldados americanos em diferentes contextos de campo. De lá pra cá, virou referência mundial em análise sensorial.

1 – O modelo clássico de 9 pontos

A versão tradicional da escala hedônica usa 9 níveis, indo de “desgostei extremamente” (1) até “gostei extremamente” (9), com o ponto neutro “nem gostei, nem desgostei” no meio. O consumidor prova o produto e marca a opção que melhor descreve sua aceitação geral.

2 – Variações de 5 e 7 pontos

Versões reduzidas (5 e 7 pontos) também aparecem com frequência na literatura científica brasileira e internacional. Costumam ser preferidas quando o público tem dificuldade em discriminar muitos níveis ou quando o tempo do teste precisa ser otimizado.

3 – O que diz a ISO 11136:2014

Pela norma ISO 11136, testes hedônicos com consumidores não-treinados devem reunir no mínimo 60 julgadores para gerar resultados estatisticamente confiáveis. Esse é o piso técnico que toda indústria precisa respeitar antes de tomar decisões de lançamento com base em um teste de aceitação.

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Por que a Geração Z desafia a escala hedônica tradicional?

A Geração Z é o primeiro grupo verdadeiramente nativo digital — nasceu em um mundo em que reações vêm em forma de emoji, vídeos têm 15 segundos e cada decisão envolve uma lista interminável de opções. Esse perfil tem implicações diretas em como esse consumidor responde a uma escala hedônica de 9 pontos.

1 – Linguagem visual antes da verbal

Pesquisas sobre o comportamento desse público mostram clara preferência por estímulos visuais sobre instruções escritas. Categorias rotuladas com expressões como “gostei moderadamente” ou “desgostei ligeiramente” exigem um processamento verbal mais lento, o que pode reduzir a precisão das respostas.

2 – Erro de tendência central

Uma limitação clássica da escala hedônica é o “erro de tendência central”: o consumidor evita os extremos e concentra respostas no meio da escala. Esse viés tende a ser mais intenso em públicos jovens, menos familiarizados com o ambiente formal de testes sensoriais de laboratório. A crítica detalhada está em Wichchukit & O’Mahony (2015), publicada no *Journal of the Science of Food and Agriculture*.

3 – Diversidade cultural e fluência em emojis

A Geração Z é a mais diversa culturalmente da história recente e usa emojis como uma espécie de linguagem universal. Isso abre espaço para métodos que não dependem de tradução verbal — algo cada vez mais relevante em projetos de marcas globais.

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O que dizem os estudos científicos sobre escala hedônica e Geração Z?

Pesquisas publicadas nos últimos anos avaliaram diretamente como a escala hedônica se comporta com consumidores da Geração Z. Os resultados mostram que a ferramenta segue útil — mas pede complementos para entregar todo o seu potencial preditivo.

1 – Estudo com 120 consumidores Gen Z (Foods, 2022)

Pesquisadores publicaram no periódico *Foods* um estudo que aplicou a escala hedônica de 9 pontos junto a um questionário CATA (Check-All-That-Apply) com 120 consumidores da Geração Z. O objetivo foi avaliar diferentes métodos de cocção de espetinho de cordeiro. A escala discriminou bem entre amostras, mostrando que ainda funciona — desde que combinada com métodos qualitativos.

2 – Críticas de Wichchukit e O’Mahony (2015)

Em revisão publicada no *Journal of the Science of Food and Agriculture* (DOI: 10.1002/jsfa.6993), os autores apontam que a escala “vem sendo usada da mesma forma há mais de 60 anos” e que a conversão palavra-número é inconsistente. Como alternativa estatística mais robusta, propõem o R-Index hedônico, baseado em ranqueamento.

3 – O peso do contexto na resposta

Estudos recentes mostram que o contexto da avaliação (laboratório versus consumo real) altera significativamente a resposta do consumidor. Para a Geração Z, que vive em um contexto digital e fragmentado, esse fator pesa ainda mais nos resultados do teste sensorial.

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Quais alternativas a ciência sensorial propõe para a Geração Z?

A literatura científica dos últimos anos validou várias ferramentas que complementam ou substituem a escala hedônica quando o público-alvo é jovem. Conhecer essas opções permite à indústria desenhar testes mais aderentes à realidade do consumidor Gen Z.

1 – EmojiGrid (Toet et al., 2018)

Publicado na *Frontiers in Psychology* (DOI: 10.3389/fpsyg.2018.02396), o EmojiGrid é uma grade bidimensional com emojis que mede valência e excitação simultaneamente. Apresenta concordância de ICC = 0,958 com a Escala Analógica Visual tradicional e dispensa instruções verbais — uma vantagem clara para públicos digitais.

2 – Escala de emojis (Kansas State University)

Em estudo com 214 jovens consumidores conduzido por Swaney-Stueve, Jepsen e Deubler, pesquisadores americanos demonstraram que uma escala composta apenas por emojis produz resultados alinhados aos da escala hedônica de 9 pontos tradicional. A grande vantagem: emojis têm significado praticamente universal, independente de idioma ou cultura.

3 – CATA combinado com escala hedônica

Combinar a escala hedônica com o método CATA — em que o consumidor seleciona livremente atributos sensoriais — captura nuances que a nota de aceitação isolada não revela. Hoje, essa é a combinação mais recomendada por pesquisadores quando o público é a Geração Z.

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Como aplicar a escala hedônica com a Geração Z na sua indústria?

Adaptar a escala hedônica à realidade da Geração Z não significa abandoná-la, mas integrá-la a ferramentas visuais e qualitativas. Na prática, isso envolve garantir o mínimo de 60 julgadores previsto pela ISO 11136, combinar a escala com CATA ou EmojiGrid e ajustar o ambiente do teste para refletir o consumo real do produto. Marcas que respeitam esses três pontos saem na frente em lançamentos voltados ao público jovem.

Referências

  1. Wichchukit, S., & O’Mahony, M. (2015). The 9-point hedonic scale and hedonic ranking in food science: some reappraisals and alternatives. *Journal of the Science of Food and Agriculture*, 95(11), 2167–2178. DOI: 10.1002/jsfa.6993 · PubMed
  2. Toet, A., Kaneko, D., Ushiama, S., Hoving, S., de Kruijf, I., Brouwer, A.-M., Kallen, V., & van Erp, J. B. F. (2018). EmojiGrid: A 2D Pictorial Scale for the Assessment of Food Elicited Emotions. *Frontiers in Psychology*, 9:2396. DOI: 10.3389/fpsyg.2018.02396
  3. Swaney-Stueve, M., Jepsen, T., & Deubler, G. (2018). The Emoji Scale: A Facial Scale for the 21st Century. Kansas State University. ScienceDaily
  4. Wang, Y. et al. (2022). Development of a Check-All-That-Apply (CATA) Ballot and Machine Learning for Generation Z Consumers for Innovative Traditional Food. *Foods*, 11(16), 2409. MDPI
  5. ISO 11136:2014 — Sensory analysis: Methodology — General guidance for conducting hedonic tests with consumers in a controlled area. ISO
  6. Peryam, D. R., & Pilgrim, F. J. (1957). Hedonic scale method of measuring food preferences. *Food Technology*, 11, 9–14.

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